O jogo do adeus – Comando VP
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O jogo do adeus

Tomás. Era ele a grande motivação do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, de 41 anos, na luta contra o câncer no sistema digestivo com metástase nos ossos e no fígado. Os últimos dois anos não foram fáceis porque, ao mesmo tempo que ele teve de se submeter a tratamentos pesados para enfrentar os tumores, também teve de administrar São Paulo em meio a maior pandemia dos últimos tempos.

Um trabalho que Covas poderia ter deixado para seu vice, mas não o fez. Não se afastou do cargo e ainda instalou uma cama e uma mesa em seu gabinete no Palácio Matarazzo para conseguir trabalhar durante o tratamento oncológico.

A vontade de continuar sua jornada profissional, mesmo doente, chama atenção e diz muito sobre o seu caráter. Enquanto muitos, por bem menos, dizem que não têm condições de trabalhar, Covas optou por seguir sua missão profissional.

Como bom brasileiro, amava futebol. E Tomás, de 15 anos, seu filho, seguiu o exemplo do pai. A paixão pelo Santos os unia. Por isso, mesmo doente, quis realizar o sonho de ambos, que era o de ir assistir o time jogar a final da Libertadores.

E assim o fez. Apesar da polêmica, em 30 de janeiro deste ano, levou Tomás na disputa entre Santos e Palmeiras, no Maracanã. O prefeito foi muito criticado por isso nas redes sociais. As pessoas o xingaram por ter ido a um evento, que permitia público na época, em meio a pandemia.

Covas, por sua vez, se defendeu e disse que teve que pagar um preço alto para ter aquele momento com o filho diante do período difícil que estava atravessando. Ele classificou as críticas como “hipocrisia”:

“Depois de 24 sessões de radioterapia meus médicos me recomendaram 10 dias de licença (…) Resolvi tirar mais 3 dias de licença não remunerada para aproveitar uns dias com meu filho. Fomos ver a final da Libertadores da América no Maracanã, um sonho nosso. Depois de tantas incertezas sobre a vida, a felicidade de levar o filho ao estádio tomou uma proporção diferente para mim. Ir ao jogo é direito meu. E usufruir de um pequeno prazer da vida. Mas, a hipocrisia generalizada que virou nossa sociedade resolveu me julgar como se eu tivesse feito algo ilegal. Todos dentro do estádio poderiam estar lá. Menos eu. Quando decidi ir ao jogo tinha ciência que sofreria críticas. Mas se esse é o preço a pagar para passar algumas horas inesquecíveis com meu filho, pago com a consciência tranquila”.

A falta de bom senso

A sensibilidade que muitos não tiveram na época veio a tona após o anúncio de sua morte no domingo. Diversas publicações mudaram o tom e defenderam a ida do político com Tomás ao estádio, ou seja, mostraram compaixão em ver a luta de Covas para ter um momento especial com o filho em meio a tantas incertezas, como ele mesmo disse na época.

Só uma pessoa muito tola não entendeu que, aquela ocasião, retratava o esforço de um pai, ciente da gravidade de sua doença, para realizar um grande desejo do filho único.

Mas, imprensa e internautas deram sua sentença. Infelizmente, o que mais temos em nossa sociedade são pessoas que não “enxergam” a realidade dos fatos, porque preferem não usar a razão.

Assim, o que fica de ensinamento de tudo isso é que muitas vezes temos que fazer como Covas fez, deixar de lado as críticas, para viver um bem maior. Porque os comentários mal-intencionados podem roubar de nós os melhores momentos da vida.

Nem todos os conselhos são construtivos, muitos vêm apenas para fazer o mal. Precisamos aprender a diferenciá-los e encarar nossa jornada com leveza, como deve ser.

A única crítica construtiva, como o próprio nome diz, vem para “construir”, e não para derrubar, e é sempre expressa face-a-face, nunca pelas costas.

O homem, como ser pensante, é capaz de formar conceitos e emitir opiniões. E tudo bem. As pessoas têm direito de ter um ponto de vista. Porém, não é justo usar essa habilidade para julgar, condenar ou cancelar o outro. Em tempos de redes sociais, os usuários acham que podem opinar sem qualquer critério sobre outras pessoas, sem pensar nas consequência desastrosas do que falam.

Então, quanto à toda essa hipocrisia dos que xingaram Covas, apenas sinto e espero que ela sirva para que se reflita daqui para frente, antes de julgar o próximo. É preciso aprender a olhar para dentro de si e não para o “cisco no olho do outro”.

Porque, enquanto o ser humano achar que tem o direito de apontar o dedo para quem “bem entender” e condenar a torto e a direito, continuará pequeno, sem valor e vazio.

Bruno Covas estava mais do que certo em querer proporcionar um dia especial para o filho. Com certeza, Tomás se lembrará com muito amor e carinho desse jogo e do sacrifício de seu pai.

Fonte: r7

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