Análise divulgada nesta segunda-feira aponta expansão de até 2% para a economia brasileira e destaca os efeitos das barreiras comerciais sobre a indústria e o agronegócio
A Associação Comercial e Industrial de São Carlos (ACISC) divulgou nesta segunda-feira, 20 de julho, uma nova edição de seu Informativo Econômico, com uma análise das perspectivas para a economia brasileira em 2026. Com base no Boletim Focus publicado pelo Banco Central, o levantamento aponta uma taxa de juros esperada em 14% ao longo do ano e crescimento econômico limitado a, no máximo, 2%.
Segundo o informativo, a estabilidade dos fluxos internacionais, especialmente da balança comercial e dos investimentos estrangeiros diretos, não deve provocar grandes alterações no quadro de investimentos das empresas instaladas no País. Ainda assim, o ambiente econômico permanece marcado pelo elevado custo do crédito, pela baixa expectativa de lucro e por um grau significativo de incerteza.
Para a presidente da ACISC, Ivone Zanquim, o cenário exige planejamento e atenção redobrada por parte dos empresários. “Juros elevados e crescimento moderado influenciam diretamente as decisões de investimento e expansão das empresas. Nesse ambiente, é fundamental acompanhar os indicadores, controlar custos e planejar com responsabilidade, especialmente para que os pequenos e médios negócios possam atravessar este período com maior segurança”, afirmou.
A análise também aponta uma condição conjuntural semelhante à observada em outros períodos eleitorais. O País apresenta uma proporção elevada de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar, mas também mantém um contingente expressivo de pessoas fora da força de trabalho, formado por aquelas que não estão buscando emprego. Esse quadro ocorre ao mesmo tempo que a expansão do produto e da renda permanece limitada.
De acordo com o economista Elton Casagrande, do Núcleo Econômico da ACISC, o crescimento projetado revela dificuldades estruturais da economia brasileira. “Uma expansão que não ultrapassa 2% indica baixa produtividade do trabalho e pouca disposição das empresas para ampliar investimentos. Quando a expectativa de retorno é reduzida e a incerteza permanece elevada, o setor produtivo tende a adotar uma postura mais cautelosa”, explicou.
O cenário externo aumenta os riscos. As tarifas dos Estados Unidos afetam segmentos da indústria nacional, enquanto as medidas adotadas pela China sobre a carne brasileira podem atingir a pecuária e toda a cadeia produtiva ligada ao setor. Para a ACISC, a combinação de juros altos, baixo crescimento, menor disposição para investir e barreiras comerciais representa uma ameaça à renda futura e reforça a importância de informações econômicas qualificadas para orientar as decisões dos empresários.



