A Prefeitura de São Carlos, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, assinou nesta segunda-feira (20/07), com a Unimed São Carlos, um Termo de Cooperação para aumentar o número de doenças rastreadas a partir do Teste do Pezinho.
Após a assinatura do termo a Unimed vai passar a fornecer exames não padronizados no SUS como a dosagem de G6PD, exame de sangue para diagnosticar deficiências que causam anemia hemolítica (destruição dos glóbulos vermelhos) e do Painel Genético para erros inatos do Metabolismo (EIM) que identifica distúrbios que causam falhas no processamento de moléculas pelo organismo, geralmente resultando em sintomas neurológicos, hepáticos e gastrointestinais em recém-nascidos e lactentes.
A cooperação também prevê apoio no transporte das amostras até o Instituto Jô Clemente, em São Paulo, responsável pela realização dos exames.
A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, explicou que as maternidades públicas e particulares realizam a coleta das amostras do Teste do Pezinho, que posteriormente são encaminhadas à Vigilância Epidemiológica. “O nosso setor é responsável pelo cadastramento dos recém-nascidos, orientação às famílias e monitoramento dos resultados dos exames”.
Segundo a Denise Martins Gomide, o Teste do Pezinho Básico é composto por seis diagnósticos: Fenilcetonúria, Hipotireoidismo congênito, Fibrose cística, Anemia falciforme e demais hemoglobinopatias, Hiperplasia adrenal congênita e Deficiência de biotinidase. Já Teste do Pezinho MAIS, que São Carlos passa a oferecer agora, detecta, além das mencionadas, mais quatro doenças: Deficiência de G6PD, Galactosemia, Toxoplasmose congênita e Leucinose.
O presidente da Unimed São Carlos, o médico anestesista Bolívar Soares Mendjoud, destacou que a ampliação do teste do pezinho permitirá ampliar de seis para dez o número de doenças congênitas rastreadas nos recém-nascidos. Segundo ele, a inclusão de enfermidades mais prevalentes aumenta as chances de diagnóstico precoce e de início imediato do tratamento, contribuindo para melhores resultados clínicos.
Mendjoud também ressaltou a importância da parceria entre a Unimed e a Prefeitura para fortalecer a assistência à população. "Essa união entre os setores público e privado amplia o acesso à saúde e beneficia diretamente os moradores de São Carlos”.
O secretário municipal de Saúde, Leandro Pilha, destacou que a ampliação do Teste do Pezinho representa um avanço significativo na assistência à saúde neonatal. Segundo ele, a possibilidade de identificar um número maior de doenças ainda nos primeiros dias de vida aumenta as chances de intervenção precoce, favorecendo o tratamento e reduzindo o risco de complicações que podem comprometer o desenvolvimento da criança.
Pilha também agradeceu ao presidente da Câmara Municipal, vereador Lucão Fernandes, pela destinação de uma emenda parlamentar de R$ 250 mil, que viabilizou a contratação do Instituto Jô Clemente por 12 meses para a realização dos exames, além de reconhecer a parceria da Unimed São Carlos com o poder público, considerada fundamental para ampliar o acesso ao teste.
O presidente da Câmara, Lucão Fernandes, reafirmou o compromisso de manter a iniciativa nos próximos anos. Segundo ele, a intenção é destinar uma nova emenda parlamentar para assegurar a continuidade do Teste do Pezinho ampliado, garantindo que crianças com doenças raras tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento no tempo adequado.
EXAME - O Teste do Pezinho é um exame de triagem neonatal, estratégia em Saúde Pública, que possibilita o diagnóstico de doenças genéticas, metabólicas, imunológicas e infecciosas, por meio da análise de gotas de sangue colhidas do calcanhar do bebê.
Essas doenças (assintomáticas ao nascimento), se não tratadas adequadamente e em tempo oportuno, podem causar prejuízos irreversíveis para a vida da criança, podendo levar ao desenvolvimento da deficiência intelectual. Em casos graves, a falta ou atraso no tratamento pode levar a incapacidade de desenvolvimento, retardo mental e ou morte prematura.
O Teste é um direito da criança assegurado por lei, e a coleta deve ser realizada preferencialmente na maternidade, antes da realização da alta hospitalar, de modo a garantir que todas as crianças tenham seu exame realizado. Essa coleta deve ocorrer após as 48 horas e 1 minuto do nascimento até o 5° dia de vida do bebê, independentemente de sua condição clínica.
Graças ao Programa Nacional de Triagem Neonatal – PNTN – é disponibilizado para os recém-nascidos o diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

