Serial killer ‘Serpente’ viu série sobre sua vida e diz que processará produtores

Charles Sobhraj, acusado da morte de mais de 20 pessoas nos anos 70, é o serial killer conhecido como “A Serpente”. Ele foi libertado na última sexta-feira (23) de uma prisão no Nepal, onde cumpriu 21 anos de pena. A fama de Sobhraj aumentou consideravelmente após a BBC e a Netflix produzirem uma série sobre sua vida, onde vemos os vários assassinatos cometidos pelo homem que hoje tem 78 anos. Sua advogada, Isabelle Coutant-Peyre, conversou com o The Telegraph e disse que Sobhraj assistiu ao seriado e processará a empresa britânica e também o serviço de streaming. Segundo Isabelle, seu cliente afirmou que o conteúdo da série “é um lixo e 70% é totalmente falso”. Ela completou dizendo que Sobhraj é inocente e que sua condenação “foi fabricada a partir de documentos falsificados pela polícia do Nepal”. Para ela “é um escândalo que ele seja considerado um serial killer. A acusação é completamente falsa”. RASTRO DE MORTES Sobhraj é francês de origem vietnamita e indiana e nos anos 70, após passar por vários países, se estabeleceu em Bangcoc (Tailândia). Ele passou a trabalhar como negociante de joias e entrava em contato com muitos estrangeiros que iam visitar o país. Sedutor e bem-educado, acabou conhecendo vários jovens mochileiros que, mais tarde, se tornariam suas vítimas. Ele teria matado pela primeira vez em 1975. Era uma jovem norte-americana que teve seu corpo encontrado numa praia em Bagcoc. Segundo a jornalista Julie Clarke, que o entrevistou, “Sobhraj odiava mochileiros, via-os como pobres e viciados em drogas”. O apelido de serpente veio a partir de sua habilidade de mudar sua identidade para escapar da Justiça. O assassino foi preso na Índia em 1976 e passou 21 anos na prisão, com uma breve saída em 1986, quando fugiu e foi recapturado no estado costeiro de Goa. Libertado em 1997, viveu em Paris, onde foi pago para dar entrevistas, mas voltou ao Nepal em 2003. Foi visto no distrito turístico de Katmandu e detido em um cassino. No ano seguinte, um tribunal condenou-o à prisão perpétua pelo assassinato em 1975 da turista americana Connie Jo Bronzich. Uma década depois, foi condenado pelo assassinato um canadense. Atrás das grades, Sobhraj reiterou sua inocência nas duas mortes, dizendo que nunca esteve no Nepal antes da viagem que o levou à prisão. Nadine Gires, uma francesa que morou no mesmo edifício em que Sobhraj residia em Bangcoc, afirmou no ano passado à AFP que ele era "culto e cortês". "Ele não era apenas um vigarista, sedutor e ladrão de turistas, mas também um assassino perverso", comentou.

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