Fazendeiro que matou policial da Federal presta depoimento

Em depoimento à Polícia Civil de Goiás, o proprietário da fazenda invadida pelo policial federal Lucas Valença, 36 anos, deu detalhes dos momentos que antecederam o tiro que matou o agente da PF. Conhecido como hipster da Federal, Lucas ameaçou matar as pessoas que estavam dentro de casa na fazenda Santa Rita, em Buritinópolis, Goiás. O delegado que apura o caso detalhou ao R7 e à TV Record o depoimento do dono da residência.

O caso ocorreu na noite desta quarta-feira (2-03-2022), por volta das 23h30. "Segundo relatos do autor, ele estava em casa com a filha e a esposa, quando começou a ouvir gritos do lado de fora. A vítima [Lucas] dizia: 'Saiam todos de dentro de casa, senão vou entrar e matar'", detalhou o delegado Adriano Jaime Carneiro, plantonista da Delegacia Regional de Posse (GO).

No boletim registrado como homicídio, o dono da fazenda também contou que Lucas gritou diversos xingamentos e disse que "naquela casa havia um demônio.
O policial federal teria desligado a energia da propriedade e arrombado a porta da casa. Nesse momento, o dono da fazenda advertiu-o de que estava armado, contou o delegado, mas Lucas não teria parado. "O autor desferiu um único tiro. Depois do tiro, a vítima começou a gritar que era policial. Nesse momento, o autor ligou para a Polícia Militar solicitando uma ambulância", completou o delegado.   Ao religar a energia, o proprietário percebeu que havia atingido o agente da PF no peito. Lucas Valença foi socorrido, mas morreu no local. Encaminhado à delegacia, o dono da fazenda foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo. A arma utilizada no caso era originalmente de pressão, mas foi alterada para uma espingarda calibre 22. Segundo a polícia, o homicídio será apurado por meio de inquérito policial, já que, pela circunstâncias do fato, o crime pode ser enquadrado como legítima defesa. O fazendeiro pagou fiança de R$ 2.000 e vai responder em liberdade.

Hipster da Federal

Lucas nasceu em Goiás, mas morava em Brasília. Ele ficou famoso em 2016, ao aparecer na escolta do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ), réu na Operação Lava Jato. Na época, o sucesso do policial nas redes sociais foi tanto que ele ganhou até um boneco no Carnaval do Recife em 2017.
O último caso emblemático em que Lucas atuou foi a caçada ao criminoso Lázaro Barbosa, em Cocalzinho (GO), em junho de 2021. Ele estava entre os 270 policiais do DF que fizeram parte da megaoperação. Lucas ficou conhecido como hipster da Federal por causa da aparência, com barba cheia e cabelos longos sempre presos em coque.

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